Cristianismo Coreano

O Cristianismo coreano teve uma história estranha, conturbada e, contudo, notável. Como resultado, há agora uma maior percentagem de cristãos na Coreia do que em qualquer nação no leste da Ásia continental.

Quando os seguidores do Patriarca Nestorius de Constantinopla foram excomungados pelos concílios ecumênicos do século V, eles fugiram para o leste, estabelecendo igrejas que prosperaram por muitos séculos no Iraque, Irã, Índia e China. No ano 1000, missionários Nestorianos ainda estavam trabalhando na Manchúria e Coreia. Uma cruz estoriana e outros objetos cristãos que datam do século XI foram descobertos na Coreia depois da Segunda Guerra Mundial. 3Entretanto, gradualmente a comunidade Nestoriana Cristã foi engolida pelo ambiente hostil.

Outro contato notável dos coreanos com o Cristianismo veio em 1592 quando Toyotomi Hideyoshi enviou exércitos japoneses para invadir a Coreia. Jesuítas portugueses estabeleceram missões no Japão e obtiveram muitos milhares de convertidos para a fé cristã. Um dos generais de Hideyoshi era um cristão chamado Konishi. Depois de capturar Seoul, ele convidou um missionário jesuíta e um sacerdote japonês para conduzirem cultos em seus campos dos exércitos. Eles passaram um ano na Coreia antes de serem chamados de volta para o Japão.

A invasão japonesa foi finalmente revertida. É duvidoso se a obra missionária realizou algo concreto. Entretanto, centenas de prisioneiros da guerra coreana foram enviados para o Japão, e alguns destes se tornaram católicos devotos. Quando o governo japonês começou a perseguir os cristãos um ano mais tarde, vários cristãos coreanos foram martirizados. De 1614 até 1629 há registros públicos de católicos coreanos no Japão sendo assassinados.

O fundador do Cristianismo coreano moderno foi um nobre jovem estudioso chamado Yi Pyok. Em 1777 um grupo de estudiosos confucionistas encontrou um monastério Budista isolado para discutir filosofia. Entre os livros que eles leram, havia alguns obtidos de Pequim sobre a religião católica. Yi Pyok ficou tão impressionado com esses tratados Jesuítas que ele se tornou um cristão e deixaram de lado o sétimo dia da semana para oração.

Yi falou sobre sua nova fé com alguns amigos próximos e fez arranjos para aprender mais sobre a religião católica. O governo enviou anualmente uma delegação para a corte imperial chinesa. Um amigo de Yi, Yi Seung-Hoon, os acompanhou para Pequim, aprendeu mais sobre o Cristianismo e foi batizado por um missionário. Ele voltou com livros Jesuítas, rosários e crucifixos para Yi Pyok que foi batizado por Yi Seung-Hoon. Assim, os dois homens foram igualmente importantes na fundação do Cristianismo coreano. Muitos nobres se interessaram no catolicismo e algumas notáveis conversões foram feitas.

Uma vez que este grupo tinha estudado os livros chineses, eles decidiram estabelecer sua própria igreja. Um homem foi eleito bispo e quatro foram escolhidos como sacerdotes. Uma casa em Seoul foi alugada para ser um lugar de encontro. Quando estes cristãos entraram em contato com o bispo em Pequim, ele lhes disse que seus sacerdotes tinham sido escolhidos de forma não canônica, e não deveriam ministrar os sacramentos. Mas ele elogiou o zelo deles e enviou mais livros. Os católicos coreanos aceitaram a opinião do bispo sobre seus sacerdotes. O que os perturbou foi a ordem posterior dos Jesuítas para abandonarem o culto aos antepassados. Alguns aceitaram, mas muitos perderam todo o interesse no Cristianismo.

A controvérsia sobre o culto aos antepassados levou à perseguição do governo. Um erudito bem conhecido e seu sobrinho foram presos e decapitados por queimar suas mesas ancestrais. Outros cristãos foram aprisionados. Entretanto, a coragem dos mártires atraiu muitos novos convertidos. Em 1794, dez anos depois do primeiro batismo, havia 4.000 católicos na Coreia.

O governo se opunha ao Cristianismo porque ele atacou o sistema moral confucionista, como a controvérsia sobre o culto aos antepassados parecia provar. Contudo, para piorar, era alegada a conexão do Cristianismo com políticos europeus. Sendo que a missão católica na Coreia era supervisionada por sacerdotes franceses, parecia que a nova religião era uma forma para imperialistas ocidentais transformarem a Coreia em uma colônia europeia. Assim, de 1794 até 1866 houve repetidos esforços feitos pelo governo para desarraigar a religião dos “estrangeiros bárbaros.” Mesmo assim, em 1860 havia 16.700 católicos na Coreia. Quando o devoto budista Daewongun (Regente) decidiu acabar com o catolicismo em seu país em 1866, muitos altos oficiais, a enfermeira do rei e a própria esposa do rei eram cristãos. Portanto, seus atos brutais devem ser vistos como uma tentativa desesperada de preservar a cultura tradicional da Coreia e independência política.

Os séculos XVIII e XIX na Ásia foi um tempo de agressivo imperialismo ocidental. A Coreia tentou, como a China e Japão tinham feito, se proteger através de uma política de isolamento. Por um tempo a Coreia foi conhecida como o Reino Heremita. Sendo que os missionários cristãos na Ásia muitas vezes pavimentavam o caminho para soldados europeus, pode-se agora ver por que nacionalistas patriotas temiam a propagação de ideias cristãs. Os sacerdotes franceses eram vistos como agentes do imperialismo francês, particularmente porque os franceses estavam anexando o Vietnã, Laos e Cambodja a partir do império chinês naqueles anos.

O primeiro missionário protestante chegou na Coreia em 1884. Em 1876 os Estados Unidos persuadiram a Coreia a fazer seu primeiro tratado com uma nação ocidental. Neste tempo, a Coreia estava sendo ameaçada pelo Japão por um lado, e a Rússia, por outro. Felizmente, para os coreanos, os missionários americanos, britânicos e canadenses que trouxeram o protestantismo para a Coreia não eram pró-japoneses e nem pró-russos. Muito pelo contrário. Através da construção de escolas e hospitais, como também pela promoção da modernização, eles fortaleceram a vontade da nação de sobreviver em um momento de perigo político.

Por exemplo, Horace Allen, um médico presbiteriano, foi o primeiro missionário residente presbiteriano. Ele chegou em Seoul pouco antes de um grupo de reformadores tentar derrubar o governo. O príncipe Min Young-Ik, um notável estadista conservador, quase foi esfaqueado fatalmente pelos rebeldes. O Dr. Allen foi chamado para salvar sua vida. Depois de três meses de intensos cuidados, o estadista se recuperou. Este ato obteve confiança do rei e apoio da rainha porque o príncipe Min era seu primo.

O Dr. Allen serviu como médico para os diplomatas estrangeiros e solicitou que o rei estabelecesse um hospital do governo. Esta solicitação foi atendida. O Dr. Allen assumiu o comando do novo hospital, e mais tarde se tornou o Cônsul Geral Americano (1897) e serviu como Ministro Plenipotenciário dos Estados Unidos até que os japoneses começaram a assumir o controle da Coreia em 1905. Os laços do Dr. Allen com a família real beneficiaram grandemente a causa protestante. No dia 5 de abril de 1885, o Rev. Horace G. Underwood (Presbiteriano) e o Rev. e Sra. Henry G. Appenzeller (Metodista) chegaram em Inchon; o Dr. William B. Scranton e sua mãe (Metodista) chegaram um mês mais tarde e Scranton se juntou ao Dr. Allen no hospital. A obra evangelística realmente começou por estes missionários. No dia 12 de setembro de 1887, a primeira igreja Presbiteriana foi organizada em Seoul com quatorze membros fundadores e no dia 9 de outubro, a Igreja Metodista Chong Dong foi estabelecida.

Um erudito confucionista chamado Choi, Chei Woo (Choi, Soo Oon), experimentou visões, criando uma nova religião popular que se espalhou pela Coreia. Reivindicando defender o Ensinamento Oriental (Tonghak) contra o chamado Ensinamento Ocidental dos missionários católicos, Choi ensinava uma fé sincrética: a ética do Confucionismo, a ênfase Budista de purificação do coração, o monoteísmo, o uso de velas do Catolicismo e os encantos do xamanismo. Esta religião foi mais tarde chamada de Chondogyo. Choi foi preso e executado, mas seus seguidores começaram uma revolta para livrar o governo da corrupção. Seu exército Tonghak marchou em Seoul. A China enviou tropas para acabar com a rebelião; ao mesmo tempo os japoneses se movimentaram para assumir o controle da corte coreana.

Durante o período entre 1894-1895 os japoneses livraram a Coreia da influência Chinesa. O velho Daewongun saiu da aposentadoria e se aliou com os japoneses contra sua nora, a Rainha Min. Ela foi assassinada mais tarde; o rei e o príncipe herdeiro fugiram para a região da Rússia. Quando o Rei Kojong foi finalmente capaz de voltar ao poder, ele contou com a ajuda russa e francesa. O Japão entrou em guerra com a Rússia em 1904 e assumiu o controle sobre os assuntos estrangeiros da Coreia em 1905. O príncipe Min cometeu suicídio em desespero. O Rei Kojung abdicou dois anos mais tarde. O Japão anexou a Coreia em 1910.

Cristãos em geral, e os missionários em particular, se tornaram diretamente envolvidos na política durante este período de agitação social. Em 1888 o governo decretou um interdito proibindo a obra missionária cristã. Os católicos haviam despertado grande ressentimento popular porque eles tinham comprado secretamente um terreno e começado a construir uma catedral com vista para o palácio. Dez anos mais tarde, uma igreja ortodoxa russa foi estabelecida em Seoul, que foi amplamente interpretada como um movimento político. Quando trinta e três líderes coreanos assinaram a Declaração de Independência em 1919, dezesseis signatários eram cristãos, quinze eram seguidores da religião Chondogyo de Choi, e dois eram budistas. Missionários divulgaram as atrocidades japonesas cometidas na Coreia durante a ocupação oficial e ao menos indiretamente apoiaram a causa da independência coreana até a liberação nacional ocorrer em 1945. Ao mesmo tempo, deve-se ser observado que a maioria dos missionários e a maioria dos cristãos coreanos tentaram se envolver na política da melhor maneira possível.

Quais foram os efeitos indiretos, mas reais do Cristianismo Protestante na sociedade coreana?

Porque os missionários tinham uma fé centrada na Bíblia, eles encorajavam a preocupação com educação. Para ser um bom protestante, uma pessoa deve saber ler as Escrituras. O Rev. John Ross, um missionário para a China, traduziu o Evangelho de Lucas para o coreano por volta de 1883 e o distribuiu ao longo da fronteira chinesa-coreana. A Sra. Mary Scranton estabeleceu a primeira escola para meninas em 1886 com somente uma estudante. Entretanto, a Rainha Min apoiou a escola e a denominou Ewha Haktan, Pear Blossom Institute, em 1887. O Rev. Henry Appenzeller abriu uma escola para meninos que o Rei Kojong chamou de Paichai Haktang, Hall for Rearing Useful Men; e nesse mesmo ano o Rev. Horace Underwood 4 organizou um orfanato e uma escola como parte de seu trabalho missionário.

O Protestantismo ensinava a dignidade e valor de cada alma. Esta ênfase sobre os direitos pessoais tendia a enfraquecer as fortes barreiras de classe na tradicional sociedade confucionista. Ao menos indiretamente, os missionários prepararam os coreanos para uma forma de vida mais democrática.

O Protestantismo coreano foi dominado por missionários Presbiterianos e Metodistas da Grã-Bretanha, Canadá e Estados Unidos. Isto significava que sua religião era inspirada pela ética puritana. Para eles, ser um cristão significava não fumar ou beber, trabalhar bastante, ser um cidadão responsável e ajudar os menos afortunados. Um historiador da igreja demonstrou como este ideal Protestante corrigiu os abusos da ordem social coreana no final da Dinastia Yi. 5

O Protestantismo chegou na Coreia na época quando o Evangelho Social e o movimento ecumênico estavam ganhando reconhecimento no ocidente. Embora os missionários fossem mais conservadores do que alguns cristãos na Europa e América, eles compreenderam que o Cristianismo envolve muito mais do que salvar almas pagãs das chamas do inferno. Para os Metodistas e Presbiterianos, as missões educacionais e ministérios de curas eram considerados adjuntos necessários do evangelismo e da construção de igrejas. Além disso, muito cedo os missionários coreanos concordaram com a cooperação interdenominacional. Muito antes da maioria dos cristãos ocidentais, eles reconheceram que uma igreja dividida não pode restaurar um mundo rompido. Assim, a despeito de muitos cismas trágicos e do aparecimento de muitas novas denominações na Coreia, pensadores cristãos apoiaram atividades interdenominacionais. Recentemente, como na controvérsia sobre direitos civis, líderes Protestantes e Católicos trabalharam juntos.

De 1910 até 1945 a Coreia estava sujeita ao domínio japonês. Este foi um período de considerável tensão para os cristãos. Sendo que os Protestantes tinham sido ativos no Movimento de Independência de 1919, os japoneses os consideravam uma facção destrutiva e potencialmente perigosa. Os Presbiterianos em particular se opuseram aos planos japoneses de controlar todas as instalações educacionais.

Muitos Protestantes ficaram surpresos com a participação obrigatória em determinadas cerimônias em santuários Xintoístas, argumentando que eram religiosos e não meramente rituais patrióticos. Então houve a ordem do governo para unificar todas as denominações em uma única igreja, para que as atividades cristãs pudessem ser mais efetivamente supervisionadas pelas autoridades militares de ocupação.

Comparável à terrível perseguição de cristãos durante a regência de Daewongun foi a perseguição japonesa dos cristãos coreanos começando com o assassinato de Marquis Ito em 1909. Ito tinha sido General Residente Japonês na Coreia e forçou a abdicação do Rei Kojong. O conselheiro americano de Ito foi assassinado por um católico coreano em San Francisco em 1908. Em 1909 o próprio Ito foi assassinado na Manchúria por um protestante coreano. De acordo com os japoneses, foi descoberto um plano para matar o novo Governador Geral em 1910. Um ano mais tarde, alguns estudantes e todos os professores em um colégio Presbiteriano foram presos e torturados em conexão com este plano. Finalmente, cento e vinte e cinco homens, noventa e oito dos quais eram cristãos, foram indiciados e levados a julgamento. A despeito da falsa evidência obtida sob tortura, seis foram sentenciados à prisão.

A seguir veio a brutal supressão do Movimento de Independência de 1919. Sendo que líderes cristãos estavam envolvidos, as autoridades militares se voltaram para as igrejas. Em Suwon, por exemplo, as tropas japonesas cercaram uma igreja cheia de fiéis, atearam fogo ao edifício e atiraram naqueles que tentavam escapar do santuário em chamas. Entretanto, o Movimento de Independência identificou o Cristianismo com o nacionalismo coreano e trouxe inúmeros jovens para a igreja.

Então veio a Segunda Guerra Mundial. Cerca de duzentas igrejas foram fechadas. Mais de dois mil cristãos foram aprisionados e cerca de cinquenta morreram por sua fé. Dos 700.000 Cristãos Protestantes nas igrejas antes da guerra, somente cerca de metade desse número estava ativo quando o conflito chegou ao fim.

O Dia da Liberação, 15 de agosto de 1945, forneceu uma breve ocasião para o júbilo nacional. Entretanto, sua alegria foi de curta duração quando se soube que tropas Soviéticas estavam sendo utilizadas para impor o regime comunista no Norte da Coreia. De acordo com o Dr. Samuel H. Moffett, um professor do seminário Presbiteriano em Seoul, o ataque comunista sobre a religião organizada ocorreu em três estágios. Primeiro, os comunistas destruíram duas organizações políticas cristãs – o Partido Democrático Social e o Partido Liberal Cristão. Segundo, os comunistas tentaram intimidar a igreja estabelecendo um fantoche chamado Liga Cristã para a qual todas as igrejas oficiais eram exigidas pertencer. Finalmente, quando a oposição cristã persistiu, os comunistas tentaram destruir a igreja. Os edifícios das igrejas foram confiscados, pastores foram presos, e os leigos cristãos eram frequentemente massacrados. Ao menos quatrocentos clérigos foram martirizados. Consequentemente, os cristãos tentaram fugir para o sul buscando proteção. Depois da Guerra da Coreia, estimava-se que um em cada cinco pessoas na Coreia do Sul era um refugiado do norte.

Sendo que o Rev. Sun Myung Moon fundou a Associação do Espírito Santo para Unificação do Cristianismo Mundial neste período pós-guerra, é importante observar as várias características proeminentes do Cristianismo coreano na década de 1950:

1. A comunidade cristã dobrou de tamanho na década pós-guerra. Por que a igreja se espalhou como fogo no mato? O presidente do seminário Metodista, Harold Hong, indicou quão zelosos eram os leigos cristãos. Eles tinham todo o entusiasmo e dedicação. A maioria das conversões ocorria em reuniões de reavivamento seguindo o padrão que começou com o grande reavivamento em Pyung-yang em 1907 que fez muito para estimular o crescimento da igreja no norte. Orar em uníssono era uma das características poderosas desses reavivamentos. Os serviços de oração antes do amanhecer e intensos estudos da Bíblia se tornaram um padrão da vida cristã. Como indicou o Dr. Hong, muitos pregadores notáveis também tinham recebido dons carismáticos como resultado de experiências místicas e alguns se tornaram famosos curandeiros.

2. A rápida expansão do Cristianismo no sul se deve amplamente ao afluxo de refugiados do norte comunista. Assim, as igrejas eram zelosamente anticomunistas e determinadas para reunificar a nação.

3. Mas depois de uma década de rápida expansão, as principais denominações quase pararam de crescer. Como vários sociólogos observaram, o Metodismo, Presbiterianismo e o Catolicismo alcançaram um patamar, e mais ou menos ficaram nesse nível. Parte disto foi devido às sérias divisões dentro da igreja. Os Presbiterianos se dividiram em quatro grupos. Em 1959 um grupo contrário ao Conselho Mundial Presbiteriano estabeleceu uma Associação Nacional de Evangélicos. Estes problemas forçaram o corpo principal Presbiteriano a parar de cooperar com o Conselho Mundial de Igrejas a fim de restaurar a unidade.

4. Desde seu início, o Cristianismo coreano sofreu opressão e perseguição. Por causa de sua situação difícil, os Protestantes eram inspirados principalmente pelas histórias bíblicas do êxodo do Egito. As Escrituras ensinavam claramente a teologia de liberação. Sendo que Deus libertou os judeus da escravidão egípcia, Ele também os liberaria? Consequentemente, os cristãos oravam por alguém como Moisés para resgatá-los de seus opressores. Era natural para os coreanos identificar seu país com a história de Israel no Velho Testamento, cujos sofrimentos forneceram sua posição única no propósito de Deus de redenção. A Coreia era, como Israel, um povo de fé oprimido. Possivelmente como os judeus, os coreanos estavam sendo preparados para alguma missão especial na providência de Deus. Portanto, o patriotismo coreano e a fé cristã estavam intimamente relacionados. Esta aliança idealista de nacionalismo e religião foi grandemente reforçada quando a Coreia do Norte se tornou submetida ao duro totalitarismo de Kim Il Sung.

5. Durante a ocupação japonesa muitos Protestantes também enfatizaram os aspectos apocalípticos do Novo Testamento. O Cristianismo era visto como uma fé baseada na expectativa escatológica. O livro do Apocalipse se tornou a parte mais amplamente lida da Escritura. Assim, os cristãos começaram a olhar para o Cristo do Segundo Advento e o alvorecer da era messiânica. Seguramente essa época estava à mão.

6. Durante e depois da Guerra da Coreia, surgiu um número considerável de novos movimentos religiosos. Alguns eram cristãos em sua origem e inspiração; outros não. Este foi um tempo de revolta social e intenso entusiasmo espiritual dentro das igrejas estabelecidas.

Então o que era distinto a cerca destes novos grupos? Além de compartilhar a atmosfera revivalística, a intensa vida de oração e estudo da Bíblia de muitos Presbiterianos e Metodistas, estes novos movimentos eram capazes de conduzir surpreendentes curas de fé e estavam inusitadamente abertos para o mundo espiritual. Consequentemente, eles recebiam mensagens de inspiração de uma nova era vindoura na história de salvação. Suas visões psíquicas do futuro frequentemente se concentravam nas bênçãos originais de Deus a serem derramadas sobre o povo coreano, confirmando as profecias tradicionais e trazendo o cumprimento das promessas escatológicas Bíblicas.

A Igreja de Unificação nasceu nesse notável ambiente carismático. Para aqueles de nós que estavam na Coreia naquela época, era natural concluir como eu: “O longo e sombrio inverno cósmico passou e o início cósmico pelo qual a humanidade tem esperado por tanto tempo, chegou. A Nova Era, a Era Cósmica, começou.” 7


3 A. Clark, History of the Church in Korea1971, p. 79. Cf. Kyung Bae Min, The Church History of Korea, Seoul (em coreano) 1972 e Tongshik Ryu, The Christian Faith Encounters the Religions of Korea, Seoul (em coreano) 1965.

4 A. D. Clark, History of the Church in Korea (1971), pp. 92-95.

5 S. J. Palmer. Korea and Christianity (1967), p. 94.

6 S. H. Moffett, The Christians of Korea (1962), pp. 76-77. 'H.S. Hong et al, Korea Struggles for Christ, Seoul (1966), p. 16.

7 Y. 0. Kim, The Divine Principles, p. 111