Sun Myung Moon

A fim de entender a mensagem do Princípio Divino, é útil saber alguma coisa sobre seu mensageiro. Sun Myung Moon nasceu na vila norte-coreana de Jung-ju no dia 6 de janeiro de1920, de acordo com o calendário lunar.

Seu avô foi o primeiro a reconhecer que ele era excepcionalmente dotado. Quando criança, Sun Myung Moon não toleraria injustiças ou abusos infligidos aos outros. Consequentemente, ele foi muitas vezes ridicularizado ou até mesmo espancado por seus companheiros mais velhos. Se ele visse adultos tirando vantagem de crianças desamparadas, ele ficaria enfurecido, se deitaria no chão, e choraria alto batendo seus braços e pernas no chão. Embora seu corpo ficasse ferido, ele se recusava a parar de protestar até que aqueles culpados admitissem seus erros. Assim, desde a infância ele demonstrou um extraordinário senso de justiça e uma vontade indomável.

Uma vez ele me disse que quando tinha doze anos de idade, ele ia para um lugar tranquilo no bosque para orar. Um dia depois que ele tinha orado, parecia como se as árvores, arbustos e grama começaram a falar: “Ninguém cuida de nós. Nos sentimos abandonados pela humanidade.” Compreendendo que a natureza gritava para ser amada, ele sentiu como se estivesse abraçando o mundo inteiro, jurando, “Eu serei seu zelador.” Em outra ocasião, ele orou, “Pai, me dê maior sabedoria do que Salomão, maior fé do que o apóstolo Paulo, e maior amor do que Jesus.”

Entretanto, somente na idade de dezesseis anos, que Sun Myung Moon despertou para seu potencial como um líder religioso. Como muitos coreanos, seus pais tinham se tornado convertidos para o Cristianismo como resultado das atividades missionárias Presbiterianas. No nascer do sol na manhã de Páscoa em 1936, enquanto Moon estava em profunda oração, ele experimentou um encontro místico com Jesus. Nesta visão, o adolescente coreano foi desafiado a assumir a obra inacabada de Jesus e estabelecer o reino de Deus na terra.

Depois desta experiência mística, Sun Myung Moon começou uma intensa busca da verdade religiosa. Por vários anos ele orou, estudou e ouviu o que as pessoas estavam dizendo sobre religião, e ponderou profundamente sobre o problema dos caminhos de Deus com os homens. Repetidamente ele se perguntou: Qual é o problema definitivo do homem, de todo o universo, e até mesmo de Deus? Com o tempo, a resposta veio. Para tudo na existência, incluindo Deus, a questão central envolve a realização do amor.

Às vezes ele foi tentado a abandonar sua missão, ele admitiu. Desde que se matriculou como um aluno de engenharia elétrica na Universidade Waseda no Japão, teria sido fácil colocar de lado suas preocupações religiosas para se concentrar em seu futuro ou limitar suas atividades extracurriculares à luta pela independência coreana. Entretanto, na idade de vinte e cinco anos, Moon decidiu aceitar o desafio lançado por Jesus ressuscitado e devotar sua vida para realizar o reino de Deus.

O próximo estágio em sua missão começou em 1946, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Logo depois da liberação da Coreia da ocupação japonesa, Moon se sentiu chamado para começar a pregar em Pyung-yang, a cidade mais importante no norte da Coreia.

Pyung-yang tinha sido uma das fortalezas do Cristianismo e era frequentemente chamada de Jerusalém do Oriente. Mas essa cidade também era a capital para o governo comunista que tinha sido imposto sobre a Coreia do Norte pelos soldados russos. Assim, sob as condições mais adversas, Moon tentou estabelecer um fundamento seguro para a nova providência de Deus. Por um lado ele enfrentou oposição dos cristãos convencionais que acreditavam que o reino de Deus não tinha nada a ver com o melhoramento deste mundo. Por outro lado, havia os comunistas que estavam determinados a erradicar a fé em Deus e estabelecer uma sociedade secular totalitária.

Quando o Reverendo Moon tinha adquirido alguns seguidores, suas atividades chamaram a atenção das autoridades comunistas. Naturalmente ele foi preso e submetido à tortura. Depois de uma sessão severa, ele foi atirado inconsciente para fora em uma noite fria de inverno, onde seu corpo foi descoberto por seus discípulos. Quando ele se recuperou e voltou a pregar, Moon foi preso de novo e sentenciado a um campo comunista de trabalho forçado na cidade costeira oriental de Hungnam. Cada preso era atribuído com uma cota diária quase impossível, de carregar 130 sacas de quarenta quilos de cal. Sobrecarregados e subalimentados, poucos prisioneiros sobreviviam mais de três meses. Mas Moon estava determinado a permanecer vivo. Com fé em Deus e poder absoluto, ele foi capaz de sobreviver sob condições intoleráveis por cerca de três anos, até que os prisioneiros foram libertados por soldados das Nações Unidas em 1950.

Mais tarde, comentando suas experiências na prisão, o Reverendo Moon afirmou. “Eu nunca orei por fraqueza ou me queixei. Eu nunca pedi a ajuda de Deus. Ao invés, eu estava sempre confortando Deus, dizendo a Ele para não se preocupar comigo. Sendo que Deus já conhecia meu sofrimento, eu não queria lembrá-lo e causar ainda mais aflição para Ele. Eu apenas dizia para Ele que eu nunca seria derrotado.”

Moon voltou para Pyung-yang para encontrar seus discípulos. Os poucos ainda fiéis convertidos foram instruídos a se juntarem a ele em Pusan no sul da península coreana. Moon e dois discípulos começaram uma jornada em uma bicicleta por estradas nas montanhas por quinhentos e vinte quilômetros até o sul. Um deles tinha uma perna quebrada e tinha que ser carregado.

Depois de chegar em Pusan, Moon se juntou a inúmeros outros refugiados desabrigados. No verão de 1951 discípulos se encontraram com ele em uma pequena cabana, construída a partir de caixas de ração do exército americano e barro seco. Um dos primeiros seguidores relata que quando o Reverendo Moon chegou em Pusan, ele parecia um pobre operário de fábrica, “magro e sujo.” Além de sofrer a opressão comunista, ele – como milhões de seus compatriotas – tinham que se submeter a incríveis dificuldades dos campos de refugiados durante a Guerra da Coréia.

Em 1953 o Reverendo Moon se mudou para Seoul, a capital da República da Coréia, e no ano seguinte ele estabeleceu oficialmente a Associação do Espírito Santo para Unificação do Cristianismo Mundial.

Um missionário australiano, o Rev. Joseph McCabe, passou oitenta dias como convidado da igreja de Seoul e publicou um relatório entusiasmado na revista de sua denominação. Deixe-me citar alguns trechos do artigo do Pastor McCabe, porque ele mostra impressões de um estranho sobre o movimento de Unificação em seu início:

“O grupo de cristãos para o qual eu vim não é Pentecostal ou Apostólico como conhecemos, mas o Espírito do Senhor é manifesto entre eles, e alguns têm visões, outros têm línguas e interpretações, enquanto um espírito de profecia é exercitado por outros em particular. É maravilhoso o fervor e sinceridade da adoração, e a pregação poderosa do Sr. Moon, um orador nato que desperta sua congregação para responder tanto em oração como na pregação. Quase sem exceção os membros estão lá porque desejam algo mais profundo. O local de encontro é um velho salão fora do caminho principal… nesta sala há entre trezentas e quatrocentas pessoas. Não há assentos como em outras igrejas; todos se sentam no chão. Meia hora antes do serviço é destinada para cânticos, e o lugar é embalado… o Sr. Yoo (sic), 9 o conferencista, dá conferências sobre os Princípios, como eles denominam suas crenças, por quatro ou cinco horas por dia.” 10

O Reverendo McCabe relatou também que o movimento tinha oito centros de Seoul até Pusan com um total de membros entre seiscentos e mil e duzentos. Este missionário australiano reconheceu que sua própria denominação diferia da Igreja de Unificação em algumas práticas sacramentais e doutrinas; contudo, ele ficou claramente impressionado pela qualidade carismática do movimento coreano, sua fé em Cristo e sua determinação em superar o poder de um Satanás real, como ele disse.

Na Coreia do Norte, o Reverendo Moon e seus seguidores foram perseguidos pelos comunistas. No sul, os membros da Unificação foram denunciados pelas igrejas estabelecidas. O Rev. Moon foi condenado por alguns Presbiterianos como um herege, embora tenha tido pouca participação na vida dessa denominação por muitos anos.

Quando um grupo de professores e estudantes na Universidade de Mulheres Ewha se tornaram seguidores do Reverendo Moon, eles foram ordenados a deixarem o movimento ou seriam expulsos da escola. Sendo que este ato despertou críticas venenosas da imprensa como uma violação da liberdade religiosa, a oposição começou a espalhar rumores viciosos de que a nova igreja era culpada por imoralidades sexuais. O Reverendo Moon e quatro discípulos masculinos foram presos enquanto o governo tentava sustentar estas falsas alegações feitas por seus inimigos. Ele foi libertado depois de três meses quando o tribunal o declarou inocente. Seus inimigos não puderam fornecer nenhuma evidência que se sustentasse no tribunal. Para aplacar a oposição, o governo aprisionou o Reverendo Moon por suposta evasão. Quando este caso foi julgado vários meses mais tarde, ele foi completamente inocentado.

A despeito da perseguição, a Igreja de Unificação continuou a crescer. Em 1958 um missionário foi enviado para o Japão, e no ano seguinte eu vim para Eugene, Oregon, como a primeira missionária para os Estados Unidos. Em 1975 equipes missionárias foram enviadas para cento e vinte países.

Em 1960 o Rev. Moon se casou com Hak Ja Han. Eles se mudaram para a América em 1972, onde começaram uma turnê de discursos na nação. Isto culminou com a reunião no Madison Square Garden. Como resultado desta publicidade americana, o fundamento foi estabelecido para a imensa Reunião Mundial para a Liberdade da Coreia em Seoul na qual o Rev. Moon falou para mais de um milhão de pessoas no dia 7 de junho de 1975. Sua aparição no Yankee Stadium ocorreu em 1º de junho de 1976, e a reunião no Washington Monument em 18 de setembro de 1976, forneceram um final adequado para as campanhas de discursos públicos do Rev. Moon nos Estados Unidos.

Por toda a sua vida, seu lema tem sido:

Para restaurar o mundo,
Vamos seguir em frente
Com o coração do Pai
Nos sapatos de um servo,
Derramando suor pela terra,
Lágrimas pelo homem
E sangue pelo céu.


9 Hyo-Won Eu. The Apostolic Herald, Novembro, 1956.